Painéis Modulares e Elementos Vazados – Erwin Hauer

Design

Professor da Universidade de Yale por mais de 3 décadas, o escultor Erwin Hauer, agora com mais de 80 anos, está reeditando sua série de painéis modulares “Continua”. O trabalho é considerado uma pérola do modernismo.

Fundador do Arkpad, o arquiteto Kiko Salomão esteve no estúdio de Hauer em New Heaven, nos EUA e teve oportunidade de conhecer os métodos de produção de seus painéis. Confira a entrevista exclusiva:

Em seu estúdio, Hauer orienta seu ex-aluno Enrique Rosado, que coordena a produção das peças. A parceria começou em 2003, a partir da transcrição do trabalho original de Hauer para modelos digitais.

Com a colaboração da Gehry Technologies, de Frank Gehry, o estúdio utiliza meios digitais, entre eles o software CATIA para a produção dos moldes.

Nos anos 50 e 60 o trabalho de Hauer ficou conhecido entre alguns dos mais importantes arquitetos e designers da época: Marcel Breuer, Philip Johnson e Florence Knoll Bassett.

No auge do modernismo, a translucidez dos painéis modulares de Hauer foi incorporada aos projetos por sua capacidade de filtrar a luz, como um brise-soleil ou um cobogó.

O Studio MK27, fundado por Marcio Kogan, é reconhecido internacionalmente por ter como referência a arquitetura modernista e dar continuidade a essa linguagem. No piso superior da Casa Cobogó, em São Paulo, verifica-se o lindo efeito visual do trabalho de Hauer:

Vale salientar que Cobogó foi o nome dado no Brasil para os elementos vazados na arquitetura. Do ponto de vista do conforto ambiental, essa solução é ótima para o clima tropical, por permitir iluminação e ventilação naturais sem que haja superaquecimento.

Com a evolução da tecnologia, as peças que antigamente eram feitas à mão com moldes e concreto, hoje podem ser produzidas com maior precisão e delicadeza, em diversos materiais: MDF, limestone, gesso,  resinas, alumínio e aço inoxidável.

As estruturas modulares da série “Continua” possuem formas intrincadas, que se encaixam e formam “loops”.  Quando repetidos em uma parede, os módulos passam a sensação de uma única trama fluida. “Essa é minha obsessão”, atesta Hauer, “a tensão em uma superfície é quase como uma força viva”.

O livro Erwin Hauer: Continua: Architectural Screens and Walls contém uma pesquisa amplamente ilustrada do trabalho que Hauer começou nos anos 50 como estudante em Viena, influenciado pelo trabalho de Henry Moore, e continuou nos Estados Unidos, onde chegou em 1955.

Os painéis não eram produzidos há 40 anos e muitos dos existentes tinham sido destruídos ou estavam deteriorados. Em conjunto com a reedição, a publicação da Princeton Architectural Press, em 2004, gerou uma revitalização do interesse no trabalho de Erwin.

A partir da reedição das peças, o trabalho de Erwin começa a aparecer novamente em projetos corporativos nos EUA. A foto abaixo é do escritório de direito Patton Boggs, em Washington.

Outra publicação de peso em que o trabalho de Hauer aparece é a coleção Domus 1928-1999, de 12 volumes, da editora Taschen, que reúne as principais referências sobre o modernismo.


O escritório de arquitetura Kiko Salomão está concluindo um projeto (foto abaixo) com a colaboração de Erwin Hauer: os elementos da série Nº5 foram redesenhados e fabricados para atender às necessidades de iluminação e escala visual.

 

Segundo o arquiteto Kiko Salomão, conhecer Erwin Hauer pessoalmente foi a maior experiência de toda sua vida: “Esse senhor é um gênio louco, obcecado por seu trabalho, que desafia as leis da engenharia e a complexidade de qualquer relação da geometria. Como arquiteto, o considero um dos maiores mestres vivos da história. Este homem circulou entre os maiores ícones do modernismo, deveria estar no MoMA, no mínimo, mas ele é diferente”.

“Aos 85 anos de idade, ele trabalha num celeiro simples, dirige seu próprio carro, manuseia ferramentas pesadas e é atento aos mínimos detalhes… uma lição de vida! Seria um sonho e um grande desafio poder viabilizar um prédio inteiro com seus elementos… isso não vai sair da minha cabeça por um bom tempo”, atesta Kiko.


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